
A sede do CEIFAR, em Tancredo Neves, recebeu nesta terça (30) a primeira audiência pública do processo de revisão do PDDU de Salvador. O objetivo previsto do encontro seria validar o diagnóstico produzido pela consultoria contratada da prefeitura, mas o documento não foi disponibilizado com antecedência nem apresentado, causando confusão sobre o propósito do evento. A ampla maioria dos presentes era de Tancredo Neves/Beiru e bairros adjacentes, com poucos representantes e manifestações sobre outras áreas da cidade.
A promotora do MP-BA, Hortênsia Pinho, e o Observatório do PDDU de Salvador solicitaram formalmente, de forma prévia e também ao início da audiência, a suspensão da atividade por conta da não divulgação com antecedência dos estudos contratados junto à FGV. Questionados diversas vezes sobre o motivo da não disponibilização de dois dos três documentos que compõem o diagnóstico produzido pela consultora, o secretário Sósthenes Macedo e o diretor de desenvolvimento urbano, Daniel Gallo, não responderam.
O local de realização da atividade também gerou polêmica. Hortênsia Pinho observou que como a audiência é direcionada a toda a cidade, deveria ter sido realizada em local de mais fácil acesso a moradores de outros bairros, como o centro da cidade. Lideranças locais defenderam que o bairro sediasse a atividade por ter grande população e muitos problemas a serem resolvidos, mas estudantes da UNEB apontaram que a dificuldade de acesso ao local via transporte público impediu uma maior participação.
A liderança local Márcio Vitorino relatou que na fase anterior, das oficinas de bairro - que eram de fato territorializadas, ao contrário da audiência pública - os moradores tiveram que se deslocar até Pernambués o que provocou o esvaziamento da atividade. Segundo ele, as manifestações realizadas ontem na audiência deveriam ter sido colhidas na fase anterior do processo, que avalia como atropelado.
“Nós fomos lá, contribuímos e nada do que levamos está sendo discutido e analisado aqui hoje. Estamos discutindo sem nenhuma base. Fiquei muito decepcionado. De fato, eu esperava que fosse um outro nível de discussão, um aprofundamento daquilo que nós já levantamos para poder dar sequência”, disparou ele.
A vereadora Marta Rodrigues esteve presente e concordou com Márcio Vitorino sobre as falhas na metodologia da audiência. “Acho que o que está acontecendo aqui é uma grande escuta do território, de novo. Por isso que foi essa grande confusão. Cada um que veio aqui trouxe uma situação da sua rua ou do seu bairro. Isso é normal, é bom? É! Mas essa etapa já passou. A etapa de hoje é outra”, avaliou Marta, lembrando que o objetivo seria conhecer, validar ou complementar o diagnóstico produzido pela consultoria.
Houve uma participação expressiva de mães atípicas pleiteando maior acesso e inclusão para seus filhos autistas. Outro assunto que predominou nas falas foi a macrodrenagem, contenção de encostas e coleta de lixo. Essas questões foram apontadas como grandes problemas locais que precisam de mais ações da prefeitura, embora as lideranças também reconheçam ações importantes nesse sentido pela prefeitura nos últimos anos.
Apagão de informações
A audiência foi iniciada com uma apresentação do diretor Daniel Gallo sobre o cenário atual de Salvador. “A leitura que vi aqui fala de Salvador como se fosse um bloco só, completamente homogêneo, o que não é um fato”, avaliou a estudante de urbanismo Kailane Cavalcante.
A professora da UNEB Thais Rebouças, também afirmou não reconhecer a Salvador que vivencia nos dados apresentados.“Olhando os dados que foram mostrados aqui estou impressionada com o otimismo da prefeitura sobre a situação que Salvador se encontra. E também com a superficialidade dos dados. O único relatório que foi divulgado previamente tem mais de 700 páginas e eu tenho certeza que nelas existem muitas informações importantes que poderiam e deveriam ter sido apresentadas aqui”.
