6 de dezembro de 2025

Atividade do Observatório do PDDU de Salvador discute Cidade Antirracista na sede do Ilê Aiyê

Primeira Andança do Observatório do PDDU de Salvador acontece na Senzala do Barro Preto e o tema é Cidades Antirracistas
Imagem inseridaNeste sábado, dia 6, a partir das 16h, um dos bairros mais negros de Salvador vai sediar a primeira andança do Observatório do PDDU de Salvador com o questionamento: como tornar Salvador uma cidade antirracista? O evento vai acontecer em um local emblemático, a Senzala do Barro Preto, sede do Ilê Aiyê e símbolo de resistência negra da capital soteropolitana no bairro da Liberdade. 

A proposta é discutir como o planejamento urbano de Salvador pode ajudar a diminuir as desigualdades raciais. “Os Planos Diretores no Brasil no geral, e no nosso caso em particular, sempre foram negligentes nas análises, diagnósticos e estudos da realidade da população negra. Negligentes tanto na reflexão analítica, crítica e teórica dos seus territórios e suas lacunas, suas faltas, mas sobretudo em relação às suas potencialidades e a forma criativa de organização espacial das suas populações. Sobretudo, não existem diretrizes que gerem programas, projetos e ações voltadas para as demandas e especificidades da população negra da sua cidade”, analisa o diretor da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da UFBA, Fábio Velame. 

Foi pensando nessa realidade que o Observatório do PDDU de Salvador produziu, sob a coordenação de Fábio Velame e a participação de diversas lideranças dos movimentos negros locais, um documento com propostas a serem incorporadas na revisão do PDDU que iniciou em 2025. O documento produzido por este grupo de trabalho guiará a discussão na Senzala do Barro Preto, procurando incorporar as demandas que surjam entre os participantes. O foco está nas ações afirmativas urbanas. 

Para os estudiosos, assim como as ações afirmativas na educação e no mercado de trabalho, é necessário também ter medidas que protejam as formas de organização negras no território e procurem diminuir a desigualdade de infraestrutura nos locais onde a população negra vive. 

Como exemplo destas medidas possíveis para Salvador o GT propõe a construção de espaços de memória nos antigos e atuais quilombos, o mapeamento e medidas de proteção dos terreiros e locais de produção cultural afro, a criação de um museu que reflita criticamente sobre o terror da escravidão e a priorização dos investimentos nos bairros negros e periféricos. 

Observatório do PDDU de Salvador 
O Observatório do PDDU de Salvador é uma rede da sociedade civil com diversos movimentos sociais, pesquisadores, especialistas e associações de bairro que se articula para contribuir efetivamente na revisão do PDDU de Salvador. O grupo é apoiado pela Promotoria de Meio Ambiente, Habitação e Urbanismo do Ministério Público da Bahia e busca pautar o debate sobre os temas relevantes do plano diretor, traduzir o conteúdo técnico e seus efeitos para os soteropolitanos e estimular que participem do processo de revisão da legislação que deve acontecer em 2026. 
Leia o documento produzido pelo GT Cidades Antirracistas 

Serviço 
Como tornar Salvador uma cidade antirracista? (Primeira andança do Observatório do PDDU de Salvador) 
Quando: 06/12, a partir das 16h 
Onde: Senzala do Barro Preto, Ladeira do Curuzu, Liberdade 
Entrada livre e gratuita